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Home»Tocantins»Dor, violência e luto: Tocantins chega a 68 feminicídios em 2025
Tocantins

Dor, violência e luto: Tocantins chega a 68 feminicídios em 2025

dezembro 28, 2025Nenhum comentário0 Visitas

Tocantins registra mais de 50 casos de feminicídio em 2025
Com os dois últimos feminicídios registrados na madrugada deste sábado (27) em Buriti do Tocantins, o estado chegou a 68 casos de mulheres assassinadas no contexto de violência doméstica. O número é 5,55% menor que o registrado em 2024, mas esse dado não conforta as famílias que foram destruídas e seguem em luto pelas perdas.
Muitas vítimas foram assassinada pelo próprio companheiro ou ex-companheiro, que não aceitaram o fim dos relacionamentos, geralmente marcados por situações de violência.
A maioria também acontece dentro das casas, onde deveria ser um lugar considerado seguro. Mas, de acordo com o painel estatístico sobre ocorrências de violência contra a mulher, da Secretaria de Segurança Pública (SSP), elas também estão sendo mortas em estabelecimentos comerciais, nas vias públicas e até em represas.
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A designer de unhas Lilia Batista viveu em um relacionamento abusivo por dois anos. Entre as agressões que sofreu, temeu por sua vida e reuniu forças para sair de uma situação que nem todas as mulheres conseguem, seja por questões financeiras ou emocionais. Ela relembrou que, no começo, era tudo diferente.
“No início eu era a princesa da vida dele, ele me dava tudo. E de repente, quando eu não quis mais continuar um negócio que a gente tinha montado, ele não aceitou. Primeiramente começaram as agressões psicológicas. Depois, quando eu falava que não queria mesmo, ele começou a me espancar, do nada. Tentou me matar várias vezes”, disse Lilia.
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Ela chegou a procurar ajuda em delegacias em outro estado, onde morava. Mas como não se sentiu segura e percebeu que não teria apoio das autoridades, mudou de estado e veio para o Tocantins.
“A delegada […] simplesmente ela me mandou ir embora para voltar para casa com a minha filha de 9 anos. Quando eu cheguei em casa eu fiquei com medo, porque ele pulou o muro, tentou arrebentar a porta e falou que eu iria pagar por tudo o que eu tinha feito com ele, que era para eu retirar a queixa. Mas eu não retirei, criei coragem, coloquei um ponto final e vim embora para o Tocantins”, explicou a designer de unhas.
Vítimas no estado
Aliny, Antônia e Daiany estão entre as 66 vítimas de feminicídio no Tocantins em 2025
Reprodução/Redes sociais
Em um dos últimos casos de feminicídio registrados no estado, a vítima foi Maysa Rodrigues Fernandes Cardoso, de 35 anos. O suspeito do crime é o esposo dela, de 41 anos. A investigação do caso apontou que o homem ficou com o corpo de Maysa por 24 horas antes de enterrá-lo em uma área de mata, em Gurupi, no sul do estado.
A filha do casal, de 18 anos, chamou a Polícia Militar (PM) porque desconfiou do sumiço da mãe e da história contada pelo pai. O g1 não conseguiu contato com a defesa do suspeito preso.
Em Arraias, no sudeste do Tocantins, Aliny Pereira de Ornelas, de 25 anos, foi morta por Edivaldo Teixeira Chaves, de 36 anos. Ele tirou a própria vida após o feminicídio, segundo a investigação do caso.
Segundo informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP), na época, familiares disseram que a vítima e o homem tinham se separado há cerca de dois meses, mas ele não aceitava o fim do relacionamento.
Ainda no mês de novembro, a técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, de 31 anos, foi assassinada a tiros em Figueirópolis, região sul do estado. Um homem de 38 anos foi preso dois dias depois do crime, suspeito de ser o executor. Ele afirmou que foi contratado por R$ 5 mil para matar Daiany.
O ex-vereador de Sandolândia, Genivaldo Mendes da Silva, de 47 anos, é suspeito de ser o mandante do assassinato. Ele também foi preso.
Antônia Taynara Sousa Silva, de 20 anos, é outra da vítima da violência contra mulheres. Em outubro deste ano, ela foi esfaqueada e morta na casa onde morava, em Esperantina. O companheiro, Francimar de Almeida da Silva, de 47 anos, foi preso pela Polícia Militar (PM), suspeito do crime.
Segundo apurado, ela sofria violência doméstica e até a família dela tentou afastá-la do homem, mas ele insistia no relacionamento e os dois acabavam voltando. Francimar é assistido pela Defensoria Pública Estadual (DPE), que, na época do crime, informou que não comenta decisões judiciais envolvendo julgamento de pessoas assistidas.
O g1 entrou em contato com a defesa de Genivaldo e de Francimar, que é atendido pela Defensoria Pública, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta.
Dados sobre feminicídio
Conforme o painel de estatísticas sobre crimes contra a mulher, da SSP, dos foram 66 feminicídios registrados no estado até sexta-feira (26). Nos dados oficiais ainda não aparecem os dois casos registrados em Buriti do tocantins.
Segundo o levantamento, 34 assassinatos aconteceram em residências. Foram 12 crimes na zona rural, 11 na área urbana. Também foram registrados feminicídios em via pública, estabelecimento comercial e até em uma empresa.
A cidade com mais casos é Palmas (9), seguida de Gurupi (6) e Tocantinópolis (4). A maioria dos feminicídios aconteceu à noite, com 37 casos nesse período e 29 durante a manhã.
Novembro foi o mês com mais casos de feminicídio, segundo a estatística, com 10 mortes. Os finais de semana são marcados por mais crimes desta natureza, com 13 casos registrados aos sábados e 14 aos domingos. No ano de 2024, foram registrados 72 feminicídios.
Com denunciar
Casa da Mulher Brasileira em Palmas, atende vítimas de violência
Flávio Cavalera/Secom Palmas
Todas as forças de segurança, além do Poder Judiciário atuam para atender e coibir práticas de violência contra a mulher. Mas existem canais por onde as ocorrências podem ser denunciadas, como o telefone 153, da Guarda Metropolitana, ou o 180, da Central de Atendimento à Mulher.
“Temos atendido bastante ocorrências de feminicídio em Palmas, ou tentativa de feminicídio, e agressões a mulheres. Isso tem crescido bastante, mas a Guarda Metropolitana está constantemente atuante para combater esse tipo de crime. A gente aconselha que as vítimas liguem de forma espontânea, pode até mesmo ligar, falar que está pedindo uma pizza ou alguma outra coisa, criar um mecanismo que não seja identificado que ela está sendo vítima de agressão, para que a viatura possa chegar a tempo de salvar essa pessoa”, explicou o comandante da GMP, Gilmar Fernandes.
Em outra esfera, entre agosto e novembro de 2025, a Casa da Mulher Brasileira atendeu 915 mulheres vítimas de algum tipo de violência. As providências tomadas vão desde afastar a vítima do agressor ou seguir para abrigos, a depender do caso, conforme explicou Marlucy Albuquerque, superintendente de proteção social da Secretaria de Ação Social da Mulher de Palmas.
“Ela vai precisar de abrigo institucional, onde ela fica um período com seus filhos, recebe todo o acompanhamento psicossocial, todo o cuidado jurídico da questão, todas as necessidades. Às vezes aquela mulher vai precisar de um benefício eventual, seja para alimentação, de algum outro benefício. E, na maioria das vezes, na questão de saúde”, esclareceu.
Julgamentos de feminicídio e violência
Na esfera judicial, mais de 12 mil processos relacionados à violência contra a mulher estão tramitando. De acordo com a juíza Cirlene de Assis, o Tocantins, infelizmente, ocupa o ranking como 5º estado mais violento do Brasil contra as mulheres
“Só em 2025, o Judiciário tocantinense julgou mais de 70 casos de feminicídio e mais de 4 mil casos de violência doméstica como um todo. Mas, infelizmente, em decorrência da cultura patriarcal, do machismo, do sentimento de propriedade da mulher, de controle da mulher, esses números só vêm subindo e os tipos de violência vêm cada vez mais se agravando”, destacou.
Para a juíza, as mulheres estão mais conscientes de quando se encontram em um relacionamento abusivo, o que não acontecia com as mulheres de gerações passadas.
“Ela aprendeu durante a sua vida matrimonial que aquilo era natural, assim se vivia e assim ela deveria suportar aquela violência. Agora, as mulheres estão mais conscientes. Isso é muito bom, a mulher consciente, a mulher que sabe que o caminho é denunciar o seu agressor”, completou a juíza.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins

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